Acabo de encerrar um ciclo de leituras relacionadas à história do Brasil: Império à Deriva, de Patrick Wilcken, D. Pedro II – Ser ou Não Ser, de José Murilo de Carvalho e As Religiões no Rio, de João do Rio. São três livros de leitura agradável que cobrem um vasto período da história brasileira. O primeiro fala da tumultuada vinda da família real portuguesa para o Brasil durante as invasões napoleônicas na Europa. Épisódio único na história da colonização, a corte falida e decadente é retratada de forma nem um pouco glamourosa. Já a biografia de D. Pedro II traça um retrato de um dos governantes mais cultos do seu tempo mas que, apesar de ter nascido para governar, nunca se acostumou ao ofício de imperador. Em algumas passagens definido como mais republicano que muitos republicanos, o desapego de D. Pedro II pelo poder e pela vida na corte é colocado como um elemento impulsionador da Proclamação da República. D. Pedro II preferia ter sido professor. E o último livro é uma coletânea de reportagens do célebre jornalista do início do século XX, João do Rio. Nestes textos o jornalista explora as diversas religiões que se misturavam no Rio de Janeiro no início do século, passando pelas religiões africanas, evangélicas e correntes esotéricas variadas. Traça um interessante retrato da sociedade carioca da época. O que mais me chama a atenção em leituras como essas que mencionei? A forma como um pequeno estudo da história, ainda que breve, ajuda a compreender muito do período atual, dos dilemas e problemas que vivemos, das características da sociedade. Mas é inquietante perceber que certos problemas permanecem os mesmos há mais de duzentos anos.
