Pensamento de Domingo

“A vida é aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro.” (John Lennon)

A frase é atribuída a John Lennon, embora costume ficar em dúvida quando se trata de qaulquer material encontrado na internet. De qualquer forma, a reflexão é válida para o ano que se inicia. Não costumo elaborar grandes resoluções de ano novo. Mas em 2012 gostaria fazer menos planos, aproveitar melhor os pequenos momentos de felicidade cotidiana e buscar uma vida mais simples, onde tenha mais tempo para a família e para os amigos.

Minha Antibiblioteca

A última mudança de apartamento serviu de pretexto para uma limpeza geral nos livros que tenho em casa (chamar minha modesta coleção de biblioteca seria um certo exagero). Nesse processo de descartar e organizar, decidi dedicar uma prateleira para “os livros não lidos”. A tal prateleira se multiplicou por quatro…. Tem de tudo um pouco. Desde clássicos que juro que vou ler um dia (Dom Quixote) a livros de história econômica e filosofia do direito (como Tempo do Direito, de François Ost). Existem os livros que compro nas viagens, porque lá fora mesmo os lançamentos em capa dura são incrivelmente mais baratos: acho que foi assim que “Physics for Future Presidents”, de Richard Miller, veio parar na estante. Há aqueles que até já até li, mas não resisti a uma edição primorosamente bonita! É o caso de uma edição da obra completa de Lewis Carrol e de uma coleção completa de Sherlock Holmes com ilustrações originais. Existem vários livros do Neil Gaiman, um dos meus escritores preferidos, cuja capacidade de publicar novos livros é superior à minha capacidade de lê-los. E ainda sigo comprando livros de ficção científica, apesar de não ler mais o gênero tanto como quando era adolescente. “The Science Fiction Hall of Fame” comprei em Estocolmo apenas por causa do conto “The Nine Billion Names of God”, de Arthur C. Clarke, uma das histórias mais bonitas que já li nessa vida.

Fiquei indignada comigo mesma por ter gasto tanto dinheiro em livros que não li. Cheguei a prometer que não compraria nenhum livro novo enquanto não lesse todo meu estoque de obras inéditas. Óbvio que a promessa não resistiu à primeira visita a Livraria Cultura, de onde saí com “Versos de Circunstância” publicação póstuma de versos inéditos de Carlos Drummond de Andrade.

Então, enquanto relia alguns trechos de “A Lógica do Cisne Negro”, em busca de inspiração para uma palestra que preciso preparar, me deparei com a seguinte passagem:

“Livros lidos são muito menos valiosos que os não lidos. A biblioteca deve conter tanto das coisas que você não sabe quanto seus recursos financeiros, taxas hipotecárias e o atualmente restrito mercado de imóveis lhe permitam colocar nela. Você acumulará mais conhecimento e mais livros à medida que for envelhecendo, e o número crescente de livros não lidos nas prateleiras olhará para você ameaçadoramente. Na verdade, quanto mais você souber, maiores serão as pilhas de livros não-lidos. Vamos chamar esta coleção de livros não lidos de antibiblioteca.” Nassim Nicholas Taleb, “A Lógica do Cisne Negro”.

Definitivamente, eu tenho uma antibiblioteca em casa. E não vejo solução para o problema. Vou tomar a questão como um fato da vida: à medida que o tempo passa acumulo experiência, rugas, alguns quilos a mais na balança e inúmeros volumes de livros não lidos nas estantes.

Pensamento de Domingo.

“Um dia a Beleza vai salvar o mundo.” (Dostoiévski)

B.

“Outliers”, de Malcolm Gladwell

Tão interessante que li esse livro quase todo de uma vez só (não sei se existe versão em português). O autor se dedica a estudar a vida de grandes sucessos contemporâneos como esportistas profissionais, advogados respeitados e milionários do Vale do Silício. Inteligência, defende, é um diferencial somente até certo ponto. Um QI altíssimo não é condição determinante para uma pessoa se disntinguir em sua área de atuação. Explora, assim, outras variáveis explicativas, como ambiente social, famílias, estímulos recebidos na escola e o fator “estar no lugar certo na hora certa”. O autor desmistifica vários gênios (que chama de “outliers”, os pontos fora da curva). Não nega que sejam pessoas formidâveis – observa entretanto que oportunidades formidáveis, muitas vezes por mero acaso, foram determinantes para seu sucesso. A parte realmente interessante é que a partir da compilação de inúmeros estudos acadêmicos e estatísticas compiladas por décadas, as quais suportariam suas hipóteses, traça uma série de sugestões simples e relativamente baratas que seriam capazes de melhorar em muito a eficiência do sistema de ensino. Não sou especialista em educação, mas como “wanna-be-mother” vou guardar com carinho muitas das lições expostas pelo autor.

“Valentino – O Último Imperador”

Neste feriado finalmente tive oportunidade de assistir ao documentário “Valentino – O Último Imperador”, filmado às vésperas das comemorações dos 45 anos de carreira do estilista. Na mesma época, a aquisição de grande parte da marca por um fundo de “private equity” culminou com a aposentadoria daquele que era tido como o último dos grandes costureiros. O documentário explora este dois acontecimentos. De um lado, o profissional perfeccionista, cuindando dos mínimos detalhes na construção dos vestidos que se tornaram sinônimo de luxo e exclusividade. Até então, Valentino era uma das poucas marcas que a sobreviver à massificação do mercado, que transformou as marcas criadas por grandes estilistas em grandes conglomerados empresariais, alterando o modelo de negóico para produção em larga escala, quando os produtos deixaram de ter aquele componente de trabalho esmerado e exclusividade. Os preços altos que se paga por muitos produtos de griffe se justifica hoje mais por causa do apelo ao status relacionado à marca A ou B do que à qualidade intrínseca do produto, com raras exceções. Impossível não observar como a maison Valentino dos grandes vestidos hoje causa furor no mercado com a febre dos “studded shoes”, explorando com sucesso o nicho de acessórios (nada contra os tais sapatos, são lindos).

Valentino conquistada, no noticiário econômico recente observa-se mais uma guerra entre o antigo X novo, onde a Hermès trava uma guerra inglória contra as tenativas de aquisição hostil por parte do grupo LVMH. Seriam eles os próximos da lista?

Enquanto isso, preparo as malas para mais uma viagem a trabalho. Se sobrar algum tempo para passeio entre os inúmeros compromissos, prefiro usar meu tempo para garimpar novas marcas e lojas, que tenham charme e exclusividade, e não sejam apenas mais um “label” despersonalizado em um grande portfolio de marcasas.

Recomeços

Depois de muito tempo sem escrever, resolvi repaginar o blog e recomeçar do zero, por uma simples razão: por mais caótica que seja a minha rotina, sinto uma falta imensa de escrever. E são tantas coisas interessantes acontecendo que é um pecado abandonar este espaço…